quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Inteligência Outonal

O outono chegou. Tanto lá fora, pelos dez graus que estão fazendo, quanto na minha alma que só quer saber de chás deliciosos e de ouvir Madeleine Peyroux.
Ontem à noite teve ensaio do "Quiltmaker's Gift" a peça que estou preparando com o pessoal da Moving Dock, uma companhia com quem já trabalhei outras duas vezes.
A Moving Dock explora as técnicas do Michael Chekhov (sobrinho do Anton, escritor). Ele desenvolveu um método muito próprio de trabalho do ator, e criou o termo 'gesto psicológico', que eu adoro.
Sempre tive dificuldade de usar o "the method", que foi o que me ensinaram no Chicago Actors Studio, trabalhando muito com memória emocional e afetiva.
Já descobri que não dou muito certo quando tenho uma atitude mental frente a um papel ou um texto, ou se tenho que buscar alguma coisa semelhante que aconteceu comigo, para ali encontrar a emoção que eu quero. No entanto, sempre que o trabalho parte do corpo, a coisa flui.
Ou seja, meu antigo eu, de jornalista super racional, aparentemente segue "emburrecendo", enquando abro outras extensões de outras versões de mim que eu sequer sabia estarem lá.
Sempre me considerei uma pessoa com ótimo vocabulário, mas hoje em dia, pra falar de muitas coisas, simplesmente não encontro as palavras. O gesto, o olhar e o movimento dizem muito mais.
Portanto, estes trabalhos com a Moving Dock, são uma delícia pra mim, com ensaios que viram território de exploração de situações e personagens, usando imagens e metáforas pra chegar onde se quer.
Um tempo atrás, teve uma personagem que tinha como gesto psicológico ficar o tempo todo segurando penas de pássaros que flutuavam à frente dela. Quando ela ficava arrasada, é como se todas aquelas peninhas tivessem caído no chão e fossem ser pisoteadas na lama. Parece papo de maluco... mas artisticamente faz todo o sentido do mundo. E, é claro, esta imagem, só serve pra mim, pra mais ninguém. São achados extremamente particulares.
Nesta peça, estou tendo uma experiência ainda mais brincada, pois é para o público infantil. Os ensaios estão muito engraçados, super intensos, bem físicos, mas parecem jogos e brincadeiras. Vai ter um ensaio aberto dia 11 e quero tirar umas fotos pra botar aqui.
Ontem também encontrei no MSN a Maria Allencar, que foi minha colega na CAL, no Rio. Maria tava fuçando no meu currículo de teatro e ficou curiosérrima sobre a leitura dos contos eróticos 'Sex Scenes', da escritora Polly Frost que eu fiz no ano passado.
Resultado, estou eu agora com idéias de criar algo similar, escrever contos em formato pronto para leitura dramática, cheios de comédia e putaria, pra apresentar em uma turnê por cafés descolados de algumas capitais brasileiras.
A idéia é super boa. Quero ver é se eu tenho coragem de escrever sacanagem. Hmmm.... Chego a ficar vermelha, antes mesmo de começar. Aliás, eu tinha um professor de literatura no colégio Rosário, o Walmor, que chamava as bochechas de "tronos do pudor". Certíssimo ele.
Hoje à noite estou de folga e já comprei vinho (Red Truck, 2007 pinot noir da California), mais um Brie francês, queijo de cabra da Holanda, pão italiano, pêssegos, e vou me divertir com meu marido olhando episódios antigos de L Word. Ah... os prazeres do frio e da boa companhia...

3 comentários:

eleonora disse...

se tu encarar os "tronos do pudor" e escrever as coisas...já pensou? em turnê pelo brasil?

Pezinha, aquilo q escreveste sobre o amor, lá no blog é examente o que sinto hoje- estou vivendo algo parecido, com amigos também, que coisa...

Aline Baba disse...

Que bom encontrar uma parceira no gesto, na falta de palavras e mesmo assim louca pra escrever...

Angústias...Angústia...

Bjsss

Safú disse...

Fiquei fascinada com esse conceito do teatro físico!! Adorei!