terça-feira, 7 de outubro de 2008

quem tem medo da gravidade

Passei uns dias agora numa cidadezinha chamada Coudersport, visitando um casal de amigos. Ele é meu amigo de infância dos anos que passei em Santo Ângelo, na região da campanha do Rio Grande do Sul.
Na verdade, quase senti como se esta viagem ao interior da Pensilvânia tivesse sido ao interior do sul do Brasil, tamanha a ligação do Rafael (meu amigo) com sua terra natal e as memórias de infância que, inevitavelmente, ele me traz. Pra reforçar esta sensação, passeamos sábado de manhã na feira de outono do vilarejo tomando um bom mate, com direito a bomba de ouro, prata e rubis. Me diverti com um poema colado na geladeira deles e copio aqui pela extrema sensualidade contida nos versos:
"Amargo doce que eu sorvo, num beijo em lábios de prata! tens o perfume da mata molhada pelo sereno, e a cuia seio moreno que passa de mão em mão, traduz no meu chimarrão, em sua simplicidade, a velha hospitalidade da gente do meu rincão!"


O fim de semana foi todo de natureza. A casa deles é praticamente uma casa de campo. As árvores da região estão num degradê de amarelos, laranjas e vermelhos e o sol da tarde faz subir um cheiro pungente e rico das folhas deteriorando no solo. Visitamos um canyon, caminhamos ao longo de um rio e, de quebra, na volta, como nosso vôo saía de Buffalo, NY, visitamos as cataratas do Niagara.

Percebi, para meu desespero, que várias fraquezas minhas têm aumentado com o passar do tempo. Cada vez enjôo mais de carro, cada vez tenho mais pavor de altura e, tenho que admitir, desenvolvi um sério medo de avião.
O problema com altura ou movimento (ou a combinação dos dois) acho que é bem comum em mulheres. Talvez porque tenhamos uma conexão mais forte com o centro gravitacional do corpo que os homens.
No teatro também se estuda isso. Na contrução de um personagem, há que se buscar onde fica o centro gravitacional dessa pessoa, o centro pelo qual ela se move e opera no mundo.
Eu defendo a teoria que à medida que a mulher amadurece, fica mais apegada ao centro gravitacional que os chineses e o pessoal da dança se referem como lower Dantien. O Dantien é como uma "bola" dentro do corpo, localizado logo atrás do umbigo, preenchendo o espaço da pélvis. A dança moderna usa muito a força que vem deste centro para gerar o movimento. Acho que quando conectamos fortemente, ou em demasia, com este centro baixo, cada vez mais "grounded", a tendência natural é tontura e falta de corporeidade cada vez que se afasta do chão. Aí, ou a pessoa trabalha isso, ou passa trabalho. No meu caso, passo trabalho. E olha que me esforço.
Este ano fiz um curso de artes circenses no Actors Gymnasium. Aprendi um pouco de cada coisa: trapézio, lyra, teia espanhola, cloud swing, tecido, corda bamba, malabarismo, perna de pau. No geral fui um desastre nas artes aéreas, mas algumas coisas eu aprendi, e também ao longo do curso descobri que posso superar vários limites e bloqueios.
No entanto, pareço ter esquecido que antes de fazer qualquer movimento brusco, é bem recomendável alongar, vide o registro da minha "estrelinha" inocente. A frase quase inaudível no final do vídeo é: 'Ai, acho que desloquei meu ombro.' Ninguém mandou desacreditar minha própria sensatez.

2 comentários:

Vhagwins disse...

ooh lodr they've done it again.

eleonora disse...

P. muuito legal o relato da viagem, me senti ali também, tomado chimarrão e tudo...
o que tenho pra dizer é que também fui me sentindo mais desorientada com a altura e o movimento, com a idade...rsrss