quarta-feira, 29 de outubro de 2008

um par de sapatilhas

Hoje comprei um par de sapatilhas de ballet. Eu não botava uma sapatilha no pé desde os meus seis anos de idade, quando eu e todas as minhas amigas ficávamos alinhadas, mão na barra da escola de dança, saia de tule cor-de-rosa e cabelo puxado para trás, aprendendo a fazer pliê.
Ontem à noite foi o último ensaio no estúdio da Moving Dock para o Quiltmaker's Gift. Semana que vem começam os ensaios técnicos no teatro e a gente estréia na quinta dia 6..
No espetáculo, os atores são contadores de histórias que vão se transformando nos diferentes personagens. E estas transformações ocorrem na frente da platéia. Além da narrativa é tudo movimento; meio dança, meio teatro. Por causa disso, e como a roupa básica do show é toda preta (sobre a qual colocamos variados adereços), precisei comprar as tais sapatilhas. Pé no chão não tava dando e sapato normal não contribui pra fluidez que queremos passar.
Ontem mesmo um colega estava comentando que quando alguém perguntou pra ele se ele era um dancer (bailarino), ele respondeu que não, mas que era um mover (movimentador).
Por mais que eu não tenha treinamento em dança e sempre tenha detestado educação física, acabei me achando justamente no teatro físico, que usa o corpo e o movimento como parte integral - ou até principal - do processo de contar uma história.
Já fiz várias aulas que preparam para este tipo de teatro, como artes circenses, máscara neutra e dança moderna. Hoje sinto que posso dizer também que não sou bailarina, mas sou sim uma mover. E agora, com passinhos ainda mais leves e suaves, nas minhas novas sapatilhas pretas.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

bode na garganta

Descobri a Yael Naim por causa da propaganda do MacBook Air. Achei a música "New Soul" tão gracinha, que não resisti e fui descobrir de quem era.
Quando achei o CD da moça, comprei na hora. Adorei todo o disco. Intrigante ela cantar em hebraico, inglês e francês. Os arranjos são super modernos misturados com instrumentos muito tradicionais, como o acordeon.
Especialmente adoro a versão que ela fez para "Toxic", uma música, pasmem, de Britney Spears.
O disco que foi gravado em dois anos, dentro do apartamentinho dela em Paris, supreendeu seus criadores (Yael e o parceiro David Donatien) no resultado e os levou para o mundo. Ela está na sua primeira turnê nos EUA e tive a sorte de poder vê-la uns dias atrás.
O House of Blues estava cheio, mas não lotado. Ela parecia tensa nas primeiras músicas, mas assim que soltou o cabelo e relaxou, aconteceu uma coisa muito inesperada. Yael Naim, estava com o famoso "bichinho do ranrran", que ela descreveu como um "bode dentro da garganta".
Ela parou no meio da música e não tinha mais jeito. Ela pediu chá, deitou no palco, até que alguém da platéia trouxe pra ela uma bala de menta, que pelo visto ajudou.
A gente estava na primeira fila e pode acompanhar todo o desespero dela e da banda. E também a carranquice do David Donatien que pelo visto é patrão da Yael e não foi nada simpático no episódio todo.
Ela terminou o show, que foi super curto e voltou para apenas uma música no bis.
Foi interessante presenciar o ocorrido. Ela em choque porque isso nunca tinha acontecido antes, mas tentando ser graciosa com seu público. O David, furioso... A platéia ajudando trazendo a bala de menta...
Me dei conta que enquanto platéia a gente torce pelos nossos ídolos. A gente torce por quem está lá, pra que dê tudo certo. Eu nunca tinha realizado de forma tão clara o quanto o público também está investido numa performance. Este sem dúvida é um sentimento confortante para quem está num palco.
Mesmo com problema na garganta e tudo, o show valeu. E continuo amando Yael Naim, que conheci graças a Apple e seu bom gosto para trilha sonora de campanhas.
CSS, a banda brasileira Cansei de Ser Sexy, também estourou aqui por ter "Music is my hot sex" como trilha da campanha do I-Pod Touch. Também descobri CSS por causa disso, embora não ame CSS a ponto de ir no show que vão fazer daqui uns dias aqui no Metro. Mas meu sobrinho de 15 anos vai.
E você? Teve alguma banda ou artista que descobriu - e caiu de amores - por causa de um comercial ou um filme?

domingo, 26 de outubro de 2008

herança eleitoral

Normalmente eu sou ligada no que está acontecendo no Brasil. Eu assisto Jornal Nacional, Jornal da Globo (via Globo Internacional) e confiro alguma coisa na internet. No entanto, às vezes eu me perco legal em datas e grandes eventos.
Este fim de semana é uma dessas vezes, eu só descobri que já era o dia da eleição de segundo turno para prefeito quando abri a internet.
Bateu a minha "gauchice" e fui correndo ao site da Zero Hora pra saber das últimas. Além disso, cliquei no link irresistível para a cobertura ao vivo da TVCOM que estou acompanhando agora enquanto escrevo.
É divertido ver alguns dos meus antigos colegas, firmes e sérios, dedicando seu fim de semana às suas funções de comunicadores.
Lembrei direto da cobertura que trabalhei para a TVCOM (canal a cabo da RBSTV no Rio Grande do Sul) nas eleições de governador. Mesmo sendo repórter de cultura, fui chamada para auxiliar o hardnews normalmente naquele fim de semana que elegeu Olivio Dutra (PT) para o governo do RS. Acho até que apresentei algumas chamadas, de terninho e tudo. Sempre me senti meio peixe fora d'agua nessas circunstâncias, mas estava ali para ajudar.
No fim do domingo, eu tinha tanta dor de cabeça que tomei duas neosaldinas. E depois de subir correndo duas vezes os quatro lances de escadas do, então, novo estúdio da TVCOM, eu comecei a ter uma coceira insuportável por todo o corpo e minhas mãos começaram a inchar.
Eu estava tendo uma reação alérgica à Neosaldina, e me fui, solita, dirigindo pro pronto socorro. Depois de duas injeções dolorosas, principalmente ao meu orgulho, fui liberada para ir pra casa, mas até hoje tenho que ficar longe do famigerado composto farmacêutico chamado dipirona.