Continuo nos ensaios de Unsung Stars. É meio estranho pra mim fazer todo esse processo sem ter uma data definida de estréia.
A diretora está em negociação com o planetário, para fazermos a temporada lá. Seria perfeito pelo trabalho ser todo a respeito de astronomia, e também porque atingiríamos um público muito maior, não necessariamente público de teatro.
Como já participei do processo criativo desse espetáculo em 2007, quando ajudei a escrever, vários dos pontos que estamos explorando agora são total dejá-vu pra mim.
Embora eu tenha ganho desta vez uma nova personagem, o que dá um colorido todo novo e me abre a possibilidade de milhares de novas descobertas e explorações a respeito dela, eu me encontro meio enjoada no momento.
Não sei o porquê disso.
Todo processo de ensaio, eu fico super empolgada no começo e quando estamos perto da estréia. Mas durante... tem sempre uma baixada de onda, de energia. Fico me enrolando pra ir aos ensaios, me faço de aborrecida pra sair de casa.
Não que eu chegue atrasada. E não que meu aborrecimento dure além do marco da porta do estúdio da Moving Dock.
Assim que entro lá, sempre acabo me divertindo. Adoro encontrar as pessoas e sem dúvida me dedico ao trabalho que estamos fazendo.
Na verdade, tem muito a ser feito ainda. Os textos estão mudando, as cenas estão mudando - são as vantagens de um trabalho que parte do ator.
Isso me lembra um pouco 'tomar banho' quando eu era pequena. A mãe gritando no pátio, chamando, e eu me escondendo, enfiada no miolo de um limoeiro, me enrolando e fazendo de tudo pra não ir. Mas depois que entrava embaixo do chuveiro, como toda criança, brincando com sabão e xampu, esquecia que tinha hora pra sair.
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quarta-feira, 8 de abril de 2009
domingo, 12 de outubro de 2008
Retalhos de um ensaio

Ontem foi um dia intenso de ensaio para o Quiltmaker's Gift, a peça infantil baseada no livro de mesmo nome que estou ensaiando com a companhia The Moving Dock.
Quilt é a colcha de retalhos tradicional americana. Aliás, poucas coisas são tão representativas da expressão folk americana do que um quilt. Eles são muitas vezes temáticos e vários passam de geração em geração em uma família.
A Moving Dock trabalha muito com movimento, e as histórias e cenas surgem dos exercícios exploratórios que os atores fazem, através do corpo e do gesto. Sempre tem muito pouco texto, e muito, mas muito movimento nos espetáculos dela.
Esta é a terceira vez que trabalho com esta companhia, mas minha primeira fazendo um espetáculo para o público infantil.
Nesta cena que estamos trabalhando, a Quiltmaker (fazedora de quilts) tem um flashback, mostrando como ela aprendeu a costurar quando jovem, rica e infeliz (eu).
Quando ela aprende a costurar, descobre sua missão, deixa tudo para trás e vai viver numa casinha na montanha costurando colchas lindas que ela jamais vende, apenas dá de presente para quem é muito necessitado.
Na cena estamos eu (jovem Quiltmaker), a Quiltmaker e a minha professora de costura.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Inteligência Outonal
O outono chegou. Tanto lá fora, pelos dez graus que estão fazendo, quanto na minha alma que só quer saber de chás deliciosos e de ouvir Madeleine Peyroux.
Ontem à noite teve ensaio do "Quiltmaker's Gift" a peça que estou preparando com o pessoal da Moving Dock, uma companhia com quem já trabalhei outras duas vezes.
A Moving Dock explora as técnicas do Michael Chekhov (sobrinho do Anton, escritor). Ele desenvolveu um método muito próprio de trabalho do ator, e criou o termo 'gesto psicológico', que eu adoro.
Sempre tive dificuldade de usar o "the method", que foi o que me ensinaram no Chicago Actors Studio, trabalhando muito com memória emocional e afetiva.
Já descobri que não dou muito certo quando tenho uma atitude mental frente a um papel ou um texto, ou se tenho que buscar alguma coisa semelhante que aconteceu comigo, para ali encontrar a emoção que eu quero. No entanto, sempre que o trabalho parte do corpo, a coisa flui.
Ou seja, meu antigo eu, de jornalista super racional, aparentemente segue "emburrecendo", enquando abro outras extensões de outras versões de mim que eu sequer sabia estarem lá.
Sempre me considerei uma pessoa com ótimo vocabulário, mas hoje em dia, pra falar de muitas coisas, simplesmente não encontro as palavras. O gesto, o olhar e o movimento dizem muito mais.
Portanto, estes trabalhos com a Moving Dock, são uma delícia pra mim, com ensaios que viram território de exploração de situações e personagens, usando imagens e metáforas pra chegar onde se quer.
Um tempo atrás, teve uma personagem que tinha como gesto psicológico ficar o tempo todo segurando penas de pássaros que flutuavam à frente dela. Quando ela ficava arrasada, é como se todas aquelas peninhas tivessem caído no chão e fossem ser pisoteadas na lama. Parece papo de maluco... mas artisticamente faz todo o sentido do mundo. E, é claro, esta imagem, só serve pra mim, pra mais ninguém. São achados extremamente particulares.
Nesta peça, estou tendo uma experiência ainda mais brincada, pois é para o público infantil. Os ensaios estão muito engraçados, super intensos, bem físicos, mas parecem jogos e brincadeiras. Vai ter um ensaio aberto dia 11 e quero tirar umas fotos pra botar aqui.
Ontem também encontrei no MSN a Maria Allencar, que foi minha colega na CAL, no Rio. Maria tava fuçando no meu currículo de teatro e ficou curiosérrima sobre a leitura dos contos eróticos 'Sex Scenes', da escritora Polly Frost que eu fiz no ano passado.
Resultado, estou eu agora com idéias de criar algo similar, escrever contos em formato pronto para leitura dramática, cheios de comédia e putaria, pra apresentar em uma turnê por cafés descolados de algumas capitais brasileiras.
A idéia é super boa. Quero ver é se eu tenho coragem de escrever sacanagem. Hmmm.... Chego a ficar vermelha, antes mesmo de começar. Aliás, eu tinha um professor de literatura no colégio Rosário, o Walmor, que chamava as bochechas de "tronos do pudor". Certíssimo ele.
Hoje à noite estou de folga e já comprei vinho (Red Truck, 2007 pinot noir da California), mais um Brie francês, queijo de cabra da Holanda, pão italiano, pêssegos, e vou me divertir com meu marido olhando episódios antigos de L Word. Ah... os prazeres do frio e da boa companhia...
Ontem à noite teve ensaio do "Quiltmaker's Gift" a peça que estou preparando com o pessoal da Moving Dock, uma companhia com quem já trabalhei outras duas vezes.
A Moving Dock explora as técnicas do Michael Chekhov (sobrinho do Anton, escritor). Ele desenvolveu um método muito próprio de trabalho do ator, e criou o termo 'gesto psicológico', que eu adoro.
Sempre tive dificuldade de usar o "the method", que foi o que me ensinaram no Chicago Actors Studio, trabalhando muito com memória emocional e afetiva.
Já descobri que não dou muito certo quando tenho uma atitude mental frente a um papel ou um texto, ou se tenho que buscar alguma coisa semelhante que aconteceu comigo, para ali encontrar a emoção que eu quero. No entanto, sempre que o trabalho parte do corpo, a coisa flui.
Ou seja, meu antigo eu, de jornalista super racional, aparentemente segue "emburrecendo", enquando abro outras extensões de outras versões de mim que eu sequer sabia estarem lá.
Sempre me considerei uma pessoa com ótimo vocabulário, mas hoje em dia, pra falar de muitas coisas, simplesmente não encontro as palavras. O gesto, o olhar e o movimento dizem muito mais.
Portanto, estes trabalhos com a Moving Dock, são uma delícia pra mim, com ensaios que viram território de exploração de situações e personagens, usando imagens e metáforas pra chegar onde se quer.
Um tempo atrás, teve uma personagem que tinha como gesto psicológico ficar o tempo todo segurando penas de pássaros que flutuavam à frente dela. Quando ela ficava arrasada, é como se todas aquelas peninhas tivessem caído no chão e fossem ser pisoteadas na lama. Parece papo de maluco... mas artisticamente faz todo o sentido do mundo. E, é claro, esta imagem, só serve pra mim, pra mais ninguém. São achados extremamente particulares.
Nesta peça, estou tendo uma experiência ainda mais brincada, pois é para o público infantil. Os ensaios estão muito engraçados, super intensos, bem físicos, mas parecem jogos e brincadeiras. Vai ter um ensaio aberto dia 11 e quero tirar umas fotos pra botar aqui.
Ontem também encontrei no MSN a Maria Allencar, que foi minha colega na CAL, no Rio. Maria tava fuçando no meu currículo de teatro e ficou curiosérrima sobre a leitura dos contos eróticos 'Sex Scenes', da escritora Polly Frost que eu fiz no ano passado.
Resultado, estou eu agora com idéias de criar algo similar, escrever contos em formato pronto para leitura dramática, cheios de comédia e putaria, pra apresentar em uma turnê por cafés descolados de algumas capitais brasileiras.
A idéia é super boa. Quero ver é se eu tenho coragem de escrever sacanagem. Hmmm.... Chego a ficar vermelha, antes mesmo de começar. Aliás, eu tinha um professor de literatura no colégio Rosário, o Walmor, que chamava as bochechas de "tronos do pudor". Certíssimo ele.
Hoje à noite estou de folga e já comprei vinho (Red Truck, 2007 pinot noir da California), mais um Brie francês, queijo de cabra da Holanda, pão italiano, pêssegos, e vou me divertir com meu marido olhando episódios antigos de L Word. Ah... os prazeres do frio e da boa companhia...
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