Mesmo anos depois de eu ter parado de trabalhar com televisão, eu ainda sigo na lista de vários divulgadores culturais. Muitas vezes fico sabendo de eventos, espetáculos, ou cursos que parecem superbacanas, mas não tenho muito o que fazer com a informação.
Portanto, decidi que vou começar a repassar algumas dicas aqui na minha querida GreenRoom.
Até porque foi via email que fiquei sabendo do espetáculo Sexo Verbal, em São Paulo. Na noite que cheguei no Brasil, em janeiro, fomos eu, Rodrigo e o queridíssimo Leandro Bier assistir e foi ótimo.
Aí vai, então, uma dica pra quem curte movimento. Aliás, adorei a palavra "coreodramaturgrafia".
Me lembrou algo que a Marta Cotrim disse no workshop de Máscara Neutra que fiz com ela na CAL. Marta falava que há três tipo de ator, não excluindo que uma mesma pessoa possa usar mais de um estilo: o ator que interpreta, o ator-dramaturgo (que improvisa) e o ator-cenógrafo (teatro-físico).
WORKSHOP GRATUITO
COM INTEGRANTES DA CIA. CORPOS NÔMADES
De 14 a 18 de abril de 2009 – inscrições por e-mail: ciacorposnomades@gmail.com, encaminhar o currículo em anexo.
Aulas de criação e técnica em dança contemporânea, partindo da linguagem que a Cia. Corpos Nômades investiga e desenvolve: o corpo/intérprete, sampleamento de movimentos, imagens e sons, a improvisação como processo cênico e a idéia sobre coreodramaturgrafia, utilizando como inspiração o espetáculo Hotel Lautréamont – Os Bruscos Buracos do Silêncio, em cartaz no O Lugar, sede da Companhia (Rua Augusta, 325)
De terça a sexta, das 17h30 às 20h00, sábado das 15h00 às 17h30 (ateliê coreográfico). No sábado, às 16h00, os participantes mostrarão ao público o resultado do trabalho alcançado nesses encontros.
CIA. CORPOS NôMADESDireção João Andreazzi Telefax: 55-11-3237-3224 O LUGAR - Cia. Corpos NômadesRua Augusta, 325 - São Paulo - Brasil
www.ciacorposnomades.art.br
ciacorposnomades@uol.com.br
ciacorposnomades@gmail.com
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quinta-feira, 9 de abril de 2009
domingo, 14 de dezembro de 2008
a palavra e a máscara
Fevereiro de 2007 eu passei na cidade maravilhosa fazendo aulas na CAL. Eu tava com uma vontade imensa de atuar em português. Eu só atuei em português quando menina, e aquela não sou mais eu. Só que foi bem na época da minha paixão doida pelo teatro físico. Resultado, acabou que fiz várias aulas ligadas à fisicalidade, e quase nada à palavra.
Eu me pergunto sempre que liberdade sensacional seria expressar o texto na minha língua mãe! Quantas nuances mais, quantos duplos-sentidos e quantos sotaques e tiques de classe social deixariam de me escapar e coloririam minha expressão de mais complexas formas humanas?
Ou não. Há uma professora minha que disse que talvez eu também use o idioma como uma máscara. Que seja talvez mais fácil eu desnudar a alma me escondendo atrás do inglês.
Eu me pergunto sempre que liberdade sensacional seria expressar o texto na minha língua mãe! Quantas nuances mais, quantos duplos-sentidos e quantos sotaques e tiques de classe social deixariam de me escapar e coloririam minha expressão de mais complexas formas humanas?
Ou não. Há uma professora minha que disse que talvez eu também use o idioma como uma máscara. Que seja talvez mais fácil eu desnudar a alma me escondendo atrás do inglês.
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
um par de sapatilhas
Hoje comprei um par de sapatilhas de ballet. Eu não botava uma sapatilha no pé desde os meus seis anos de idade, quando eu e todas as minhas amigas ficávamos alinhadas, mão na barra da escola de dança, saia de tule cor-de-rosa e cabelo puxado para trás, aprendendo a fazer pliê.
Ontem à noite foi o último ensaio no estúdio da Moving Dock para o Quiltmaker's Gift. Semana que vem começam os ensaios técnicos no teatro e a gente estréia na quinta dia 6..
No espetáculo, os atores são contadores de histórias que vão se transformando nos diferentes personagens. E estas transformações ocorrem na frente da platéia. Além da narrativa é tudo movimento; meio dança, meio teatro. Por causa disso, e como a roupa básica do show é toda preta (sobre a qual colocamos variados adereços), precisei comprar as tais sapatilhas. Pé no chão não tava dando e sapato normal não contribui pra fluidez que queremos passar.
Ontem mesmo um colega estava comentando que quando alguém perguntou pra ele se ele era um dancer (bailarino), ele respondeu que não, mas que era um mover (movimentador).
Por mais que eu não tenha treinamento em dança e sempre tenha detestado educação física, acabei me achando justamente no teatro físico, que usa o corpo e o movimento como parte integral - ou até principal - do processo de contar uma história.
Já fiz várias aulas que preparam para este tipo de teatro, como artes circenses, máscara neutra e dança moderna. Hoje sinto que posso dizer também que não sou bailarina, mas sou sim uma mover. E agora, com passinhos ainda mais leves e suaves, nas minhas novas sapatilhas pretas.
Ontem à noite foi o último ensaio no estúdio da Moving Dock para o Quiltmaker's Gift. Semana que vem começam os ensaios técnicos no teatro e a gente estréia na quinta dia 6..
No espetáculo, os atores são contadores de histórias que vão se transformando nos diferentes personagens. E estas transformações ocorrem na frente da platéia. Além da narrativa é tudo movimento; meio dança, meio teatro. Por causa disso, e como a roupa básica do show é toda preta (sobre a qual colocamos variados adereços), precisei comprar as tais sapatilhas. Pé no chão não tava dando e sapato normal não contribui pra fluidez que queremos passar.
Ontem mesmo um colega estava comentando que quando alguém perguntou pra ele se ele era um dancer (bailarino), ele respondeu que não, mas que era um mover (movimentador).
Por mais que eu não tenha treinamento em dança e sempre tenha detestado educação física, acabei me achando justamente no teatro físico, que usa o corpo e o movimento como parte integral - ou até principal - do processo de contar uma história.
Já fiz várias aulas que preparam para este tipo de teatro, como artes circenses, máscara neutra e dança moderna. Hoje sinto que posso dizer também que não sou bailarina, mas sou sim uma mover. E agora, com passinhos ainda mais leves e suaves, nas minhas novas sapatilhas pretas.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Inteligência Outonal
O outono chegou. Tanto lá fora, pelos dez graus que estão fazendo, quanto na minha alma que só quer saber de chás deliciosos e de ouvir Madeleine Peyroux.
Ontem à noite teve ensaio do "Quiltmaker's Gift" a peça que estou preparando com o pessoal da Moving Dock, uma companhia com quem já trabalhei outras duas vezes.
A Moving Dock explora as técnicas do Michael Chekhov (sobrinho do Anton, escritor). Ele desenvolveu um método muito próprio de trabalho do ator, e criou o termo 'gesto psicológico', que eu adoro.
Sempre tive dificuldade de usar o "the method", que foi o que me ensinaram no Chicago Actors Studio, trabalhando muito com memória emocional e afetiva.
Já descobri que não dou muito certo quando tenho uma atitude mental frente a um papel ou um texto, ou se tenho que buscar alguma coisa semelhante que aconteceu comigo, para ali encontrar a emoção que eu quero. No entanto, sempre que o trabalho parte do corpo, a coisa flui.
Ou seja, meu antigo eu, de jornalista super racional, aparentemente segue "emburrecendo", enquando abro outras extensões de outras versões de mim que eu sequer sabia estarem lá.
Sempre me considerei uma pessoa com ótimo vocabulário, mas hoje em dia, pra falar de muitas coisas, simplesmente não encontro as palavras. O gesto, o olhar e o movimento dizem muito mais.
Portanto, estes trabalhos com a Moving Dock, são uma delícia pra mim, com ensaios que viram território de exploração de situações e personagens, usando imagens e metáforas pra chegar onde se quer.
Um tempo atrás, teve uma personagem que tinha como gesto psicológico ficar o tempo todo segurando penas de pássaros que flutuavam à frente dela. Quando ela ficava arrasada, é como se todas aquelas peninhas tivessem caído no chão e fossem ser pisoteadas na lama. Parece papo de maluco... mas artisticamente faz todo o sentido do mundo. E, é claro, esta imagem, só serve pra mim, pra mais ninguém. São achados extremamente particulares.
Nesta peça, estou tendo uma experiência ainda mais brincada, pois é para o público infantil. Os ensaios estão muito engraçados, super intensos, bem físicos, mas parecem jogos e brincadeiras. Vai ter um ensaio aberto dia 11 e quero tirar umas fotos pra botar aqui.
Ontem também encontrei no MSN a Maria Allencar, que foi minha colega na CAL, no Rio. Maria tava fuçando no meu currículo de teatro e ficou curiosérrima sobre a leitura dos contos eróticos 'Sex Scenes', da escritora Polly Frost que eu fiz no ano passado.
Resultado, estou eu agora com idéias de criar algo similar, escrever contos em formato pronto para leitura dramática, cheios de comédia e putaria, pra apresentar em uma turnê por cafés descolados de algumas capitais brasileiras.
A idéia é super boa. Quero ver é se eu tenho coragem de escrever sacanagem. Hmmm.... Chego a ficar vermelha, antes mesmo de começar. Aliás, eu tinha um professor de literatura no colégio Rosário, o Walmor, que chamava as bochechas de "tronos do pudor". Certíssimo ele.
Hoje à noite estou de folga e já comprei vinho (Red Truck, 2007 pinot noir da California), mais um Brie francês, queijo de cabra da Holanda, pão italiano, pêssegos, e vou me divertir com meu marido olhando episódios antigos de L Word. Ah... os prazeres do frio e da boa companhia...
Ontem à noite teve ensaio do "Quiltmaker's Gift" a peça que estou preparando com o pessoal da Moving Dock, uma companhia com quem já trabalhei outras duas vezes.
A Moving Dock explora as técnicas do Michael Chekhov (sobrinho do Anton, escritor). Ele desenvolveu um método muito próprio de trabalho do ator, e criou o termo 'gesto psicológico', que eu adoro.
Sempre tive dificuldade de usar o "the method", que foi o que me ensinaram no Chicago Actors Studio, trabalhando muito com memória emocional e afetiva.
Já descobri que não dou muito certo quando tenho uma atitude mental frente a um papel ou um texto, ou se tenho que buscar alguma coisa semelhante que aconteceu comigo, para ali encontrar a emoção que eu quero. No entanto, sempre que o trabalho parte do corpo, a coisa flui.
Ou seja, meu antigo eu, de jornalista super racional, aparentemente segue "emburrecendo", enquando abro outras extensões de outras versões de mim que eu sequer sabia estarem lá.
Sempre me considerei uma pessoa com ótimo vocabulário, mas hoje em dia, pra falar de muitas coisas, simplesmente não encontro as palavras. O gesto, o olhar e o movimento dizem muito mais.
Portanto, estes trabalhos com a Moving Dock, são uma delícia pra mim, com ensaios que viram território de exploração de situações e personagens, usando imagens e metáforas pra chegar onde se quer.
Um tempo atrás, teve uma personagem que tinha como gesto psicológico ficar o tempo todo segurando penas de pássaros que flutuavam à frente dela. Quando ela ficava arrasada, é como se todas aquelas peninhas tivessem caído no chão e fossem ser pisoteadas na lama. Parece papo de maluco... mas artisticamente faz todo o sentido do mundo. E, é claro, esta imagem, só serve pra mim, pra mais ninguém. São achados extremamente particulares.
Nesta peça, estou tendo uma experiência ainda mais brincada, pois é para o público infantil. Os ensaios estão muito engraçados, super intensos, bem físicos, mas parecem jogos e brincadeiras. Vai ter um ensaio aberto dia 11 e quero tirar umas fotos pra botar aqui.
Ontem também encontrei no MSN a Maria Allencar, que foi minha colega na CAL, no Rio. Maria tava fuçando no meu currículo de teatro e ficou curiosérrima sobre a leitura dos contos eróticos 'Sex Scenes', da escritora Polly Frost que eu fiz no ano passado.
Resultado, estou eu agora com idéias de criar algo similar, escrever contos em formato pronto para leitura dramática, cheios de comédia e putaria, pra apresentar em uma turnê por cafés descolados de algumas capitais brasileiras.
A idéia é super boa. Quero ver é se eu tenho coragem de escrever sacanagem. Hmmm.... Chego a ficar vermelha, antes mesmo de começar. Aliás, eu tinha um professor de literatura no colégio Rosário, o Walmor, que chamava as bochechas de "tronos do pudor". Certíssimo ele.
Hoje à noite estou de folga e já comprei vinho (Red Truck, 2007 pinot noir da California), mais um Brie francês, queijo de cabra da Holanda, pão italiano, pêssegos, e vou me divertir com meu marido olhando episódios antigos de L Word. Ah... os prazeres do frio e da boa companhia...
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