domingo, 14 de dezembro de 2008

a palavra e a máscara

Fevereiro de 2007 eu passei na cidade maravilhosa fazendo aulas na CAL. Eu tava com uma vontade imensa de atuar em português. Eu só atuei em português quando menina, e aquela não sou mais eu. Só que foi bem na época da minha paixão doida pelo teatro físico. Resultado, acabou que fiz várias aulas ligadas à fisicalidade, e quase nada à palavra.
Eu me pergunto sempre que liberdade sensacional seria expressar o texto na minha língua mãe! Quantas nuances mais, quantos duplos-sentidos e quantos sotaques e tiques de classe social deixariam de me escapar e coloririam minha expressão de mais complexas formas humanas?
Ou não. Há uma professora minha que disse que talvez eu também use o idioma como uma máscara. Que seja talvez mais fácil eu desnudar a alma me escondendo atrás do inglês.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Saudades do Rio I

Eu amo o Rio. Morei lá quando pequena. Foi uma época foda pros meus pais. Muita falta de grana e muita falta de amor. Eu não morava na Zona Sul. A gente passou aquele ano de 79 pra 80 na Ilha do Governador. Mas uma tia do meu pai morava no Leblon.
Não foi um período propriamente feliz, mas eu fiquei com esse amor pela cidade, uma memória do cheiro, da umidade das calçadas de Ipanema e Leblon, o cheiro do suco, o queimar da areia da praia na sola do pé. Talvez porque minhas idas ao Jardim de Alá nos fins de semana pra visitar a tia e tomar picolé tenham ficado marcadas como momentos idílicos, um contraponto ao meu dia a dia em casa. Ou talvez não seja nada disso. Talvez embora hoje meus pais recontem suas histórias daquela época com tanta dificuldade, eu estivesse alheia a tudo isso e fosse simplesmente feliz do alto dos meus quatro anos.
Três anos atrás exatamente eu estava lá de novo. Passeando. Hospedada no Marina com vista pro mar, me vesti de carioca e fui de ônibus redescobrir o centro. No fim, a água dos olhos, o sal que me escorria pelas bochechas e meu olhar lento eram um contraste às caras de sexta-feira à tarde, e revelavam a cada passo meu na rua do Ouvidor, a minha verdade turista. Meu amor cresceu ainda mais com a beleza dos prédios, a sensação da história. Minha visita sentimental teve seu apogeu na Confeitaria Colombo onde fiz esse quase-poema:

Confeitaria Colombo

Dois reflexos no grande espelho da direita.
No andar de cima,
uma dona, de boné dourado e short exibindo pelancas, passa apressada entre cadeiras guiando seu gringo de bermudas brancas.
Logo abaixo, ao lado do piano,
uma jovem dama-perdida no tempo - inspira e expira devagar,
sorvendo o estabelecimento a goles demorados de prosecco.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

break para talentos domésticos



O frio


A moleza


A espera


Fazem a gente mudar o alvo das dedicações.


Há anos eu tento achar alguém que me dê uma boa receita de Ambrosia, meu doce mais favorito do mundo, e do qual sinto imensas saudades. Ontem, melhor que a receita, pude testemunhar passo a passo a preparação de uma panelada do doce pela mãe de uma amiga minha.


Dona Isa, vinda diretamente de São Paulo, veio adoçar nossa tarde de quarta. Ela nas panelas, eu e Patty super atentas com caderninho em punho registrando todas as informações. Enquanto fervia a ambrosia, o mulherio tomava café, chá, comia bolo com pudim. Na foto estamos Isa, eu, Magali e Tarcia. Foi divertidíssimo e pude trazer um potinho pra casa.

Meu segundo projeto é um suéter para 'Ricardo', um boneco. Mais um projeto doido da griffe Patricia Peixoto e Magda deJosé. Estas duas paulistas, agora americanas, foram colegas de segundo grau em Sampa e se reencontraram aqui para fazer Arte (com letra maiúscula) juntas. Elas se divertem com uma dupla de bonecos que batizaram Douglas and Ricardo, e decidiram que os dois tem um relacionamento amoroso. A dor deles, é que como Magda está em Nova York, os amantes agora vivem separados à espera um do outro. Elas criaram um blog ricardoanddouglas com fotos para acompanhar as aventuras dos dois. É uma coisa meio o lance daquele anão de jardim viajante. E eu estou no momento colaborando com meus talentos artesanais para dar uma variada no guarda-roupa desta dupla. Para complementar o suéter azul, acho que vou tricotar um cachecol bem pink. ;)