pois nem adianta. Ando calada mesmo. Como falei antes, o fim do ano foi complicado. Doismilenove me destroçou com suas garras e não me largou até os últimos segundos do dia 31. Mas agora chega! Bola pra frente.
Aos poucos colo com cuspe, papel machê, tenaz e chiclete meus pedacinhos partidos. Me recomponho e vou me transformando em quem eu tenho de ser.
Afinal, não é pra isso que servem esses aparentemente intransponíveis obstáculos e quedas da vida adulta? Um impulso para desabrocharmos nas pessoas ainda mais fantásticas que temos de nos tornar? Com uma colorida e única história pessoal, com todos os elementos que nos tornam mais ricos e mais humanos?
É isso.
Aceito e recebo minha história como ela se revela pra mim. Faço limonadas e omeletes enquanto tramo e teço grandes mudanças para 2010.
A neve cai com fúria. O que parece impossível, já que neve é doce, lenta e suave, mas abafa os sons como só ela. O manto branco cobre a cidade e os fios de luz. O raspar das pás limpando as calçadas é o único som quebrando o silêncio pesado dos flocos.
Nesse silêncio externo, busco a minha clareza para terminar uma história e começar outra. Estou falando de peças, estou falando de teatro.
Tenho até semana que vem para concluir um script que comecei a escrever em março passado. E até fevereiro para escrever uma peça curta de 10 minutos para concorrer num festival.
Mãos ao teclado!
Dedos ágeis feito beija-flores beijam teclas derramando na tela as imagens palavras que borbulham dentro de mim; enquanto minhas gatas imploram minha atenção entre colos e miados que não atrapalham, mas sim aliviam e nutrem meu trabalho com esse afeto tão especial e tão inexplicável que só acontece inter-espécies.
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
o ano em que eu não fui
Entre as minhas variadas atividades mora uma paixão pela astrologia. Faço mapas, dou consulta, mas às vezes esqueço de usar pra mim mesma.
No quesito previsões, sou ótima de trânsitos, mas não sou muito boa de revolução solar. Falta estudo e prática.
Mas agora fui fazer a revolução do meu marido, já que vai passar o aniversário dele no Brasil, e aproveitei para revisar a minha de 2008 pra ver se achava sinal de alguma melhora a partir de junho de 2009.
Então na minha revisão que envolve o período de junho de 2008 a junho de 2009, estou com o que se diz em astrologuês, um ascendente na casa doze. Numa apostila minha, achei a seguinte anotação sobre o assunto:
"Ano para aprender a me despachar e reestruturar, abrir mão do controle. Neste ano a sensação que a pessoa tem é de que está presa e é inocente. Convivência em hospital ou prisão. Aceitar a vida como ela é. "
Depois de ler isso, minha única reação possível foi uma gargalhada fenomenal.
Como pude perder este textinho de vista? Ele resume exatamente meu ano. A lista infindável de regras, as mudanças inacreditáveis de hábitos, a falta de vida Um ano dedicado a saúde incluindo muitas idas a hospital, um ano em tentei controlar tudo por não poder controlar nada. O ano em que investi tudo num projeto e dei majestosamente com a cara na parede. Um ano em que eu não fui.
Sei que não sou, mas neste momento me sinto perdida e impotente. Como se o mundo fosse um monstro com uma bocarra imensa que vai me engolir inteira se eu ficar parada onde estou um instante mais que seja.
No quesito previsões, sou ótima de trânsitos, mas não sou muito boa de revolução solar. Falta estudo e prática.
Mas agora fui fazer a revolução do meu marido, já que vai passar o aniversário dele no Brasil, e aproveitei para revisar a minha de 2008 pra ver se achava sinal de alguma melhora a partir de junho de 2009.
Então na minha revisão que envolve o período de junho de 2008 a junho de 2009, estou com o que se diz em astrologuês, um ascendente na casa doze. Numa apostila minha, achei a seguinte anotação sobre o assunto:
"Ano para aprender a me despachar e reestruturar, abrir mão do controle. Neste ano a sensação que a pessoa tem é de que está presa e é inocente. Convivência em hospital ou prisão. Aceitar a vida como ela é. "
Depois de ler isso, minha única reação possível foi uma gargalhada fenomenal.
Como pude perder este textinho de vista? Ele resume exatamente meu ano. A lista infindável de regras, as mudanças inacreditáveis de hábitos, a falta de vida Um ano dedicado a saúde incluindo muitas idas a hospital, um ano em tentei controlar tudo por não poder controlar nada. O ano em que investi tudo num projeto e dei majestosamente com a cara na parede. Um ano em que eu não fui.
Sei que não sou, mas neste momento me sinto perdida e impotente. Como se o mundo fosse um monstro com uma bocarra imensa que vai me engolir inteira se eu ficar parada onde estou um instante mais que seja.
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