quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
De volta, mas aos poucos
Eu deveria ter colocado uma plaquinha, do tipo "Já Volto" pra avisar do meu sumiço.
Passei três semanas no Brasil e voltei fazem três dias apenas. Foi uma maratona envolvendo quatro estados e muito pouco computador. Eu realmente fiquei offline, e apenas conferia emails nas parcas oportunidades que se apresentaram em obscuras lan houses por aí.
Em termos culturais a viagem incluiu dois espetáculos: "Sexo Verbal" no Casarão do Belvedere em São Paulo, e "A mulher que escreveu a Bíblia" - com a sensacional Inez Viana - no Rio.
Vou blogar com carinho sobre os dois na sequência, só não queria deixar o blog parado mais um dia à espera de uma atençãozinha qualquer.
Também aproveito pra comentar que a passagem da Companhia Triptal por Chicago continua dando o que falar.
Acabo de receber a Performink, publicação especializada da indústria do entretenimento aqui na cidade, e lá está uma foto da peça que eu assisti, bem na capa!
O trabalho cuidadoso e inusitado do staging dado pelo diretor Andre Garolli é mencionado como "brilhantes reimaginações" das peças de O'Neill.
Agora com a nova reforma ortográfica, me pergunto, esta minha invenção traduzística, reimaginação, fica com ou sem hífen???
:O
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
teatro brasileiro em Chicago

A Cia. Triptal de São Paulo está participando de uma série de espetáculos de textos de Eugene O'Neill promovida pelo Goodman Theatre.
Além da Triptal, tem uma outra companhia estrangeira (Toneelgroep de Amsterdam)participando desta série que se propõe explorar a transposição dos textos de O'Neill dentro de uma visão do século XXI.
Fui conferir "Zona de Guerra" este fim de semana e fiquei encantada com a visão do diretor André Garolli sobre o texto.
A performance tinha legendas projetadas em inglês, e eu e meu marido éramos, acredito, os únicos brasileiros na platéia.
Depois do espetáculo, ficamos conversando com André, e foi uma troca ótima. Eu confessando que acho o teatro em Chicago em grande parte entediante por sua sempre preferência pelo realismo, e ele comentando que as vezes no Brasil a fisicalidade é tão grande que fica trabalhoso tirar os excessos quando se quer uma estética mais realista mesmo.
Foi uma delícia ter ido assistir Zona de Guerra, e tenho certeza que está sendo muito bom para artistas daqui poderem também testemunhar estas outras visões e formas de trabalhar.
A platéia do Goodman adorou e não parava de aplaudir. Acho que pra eles também é refreshing poder assistir alguma coisa que foi preparada com mais tempo, e não com os ensaios a toque de caixa de três a quatro semanas apenas que a gente tem aqui.
Eu especialmente curti muito um tableau na abertura que remete direto ao Guernica do Picasso. André contou que esta cena tinha justamente surgido de uma improvisação durante os três meses e meio que eles tiveram pra ensaiar.
Eles ainda vão fazer "Longa Viagem de Volta pra Casa" e "Cardiff" aqui no Goodman e estão adorando a recepção que a equipe do teatro está dando pra eles, em termos de apoio e acomodações. Mal sabem eles que isso de forma alguma é a regra aqui na cidade e que eles estão tendo a sorte de terem sido convidados por um teatro com tantos recursos.